Tenho lido os textos do meu antigo blog, o "A Outra Casa" original, encerrado no ano passado, se não me engano, e de fato me emocionado com o seu lirismo e beleza (sem falsa modéstia).
Eles têm uma qualidade de mágicos, sentimentais, doloridos, mas muito honestos.
Essa sinceridade me comove a cada leitura e agora, depois que todo o sofrimento, a tristeza e os diversos lutos passaram, como os textos se desprenderam das circunstâncias em que foram escritos, eles pairam, independentes, no ar e, a meu ver, ainda assim se sustentam por suas próprias qualidades - e isso me deixa meio boba, orgulhosa e feliz de poder lê-los com um sorriso de canto de boca, contemplando o tempo e a sua obra sobre mim.
As palavras, que foram tão pessoais e autobiográficas, tornaram-se, para mim, finalmente, uma ficção universalizante.
Mas, ao mesmo tempo, a leitura me causa uma pontada no coração.
Com a superação daquela conjuntura e o surgimento de uma nova, e superação é mesmo a palavra apropriada, sinto que a poesia escorreu de mim, levada pela enxurrada que carregou a desesperança, a tristeza, a solidão e a desolação.
Vejo essa sensação de vazio como um efeito colateral. Como se, ao me esforçar por sair do meu universo de memórias melancólicas e perdas e entrar na vida novamente, eu tenha tido que necessariamente usar a poesia e a emoção até o seu esgotamento, como um doce remédio que é preciso tomar até o fim para que faça efeito. A cura pressupõe a exaustão desses recursos.
Porque a vida absorve demais. E, mesmo quando busco a reflexão, a contemplação íntima, o ponto de vista poético, sinto que tudo se esvai no correr das horas, compromissos, risos, beijos, preocupações, irritações, alegrias, planos...
Eu tento segurar, mas a enxurrada é mais forte que eu.
Cada um no seu quadrado.
5 dias atrás
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