quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sem corretivo

O que eu mais gosto nela são as olheiras.
Que coragem encarar o mundo todos os dias com aqueles delicados círculos escurecidos embaixo e um pouco ao redor dos olhos!
Ela está sempre bem vestida, arrumada, penteada, mas nenhum corretivo. E encara as lentes sem hesitar.
Sorri. O círculo escuro franze, as ruguinhas sutis aparecem. Ri, e, mesmo assim, tem aquele ar de cansada. Um ar tão lindo... Tão reconfortante e apaziguador. Nele se percebe que é possível ser feliz dormindo pouco, com muitas coisas para fazer e preocupações na cabeça.
Esse riso sem corretivo é uma epifania, uma revelação divina sobre a existência, sim, de alegria genuína neste mundo.

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