Sentou-se em frente ao espelho enquanto, da rua, ouviam-se tamborins, metais, microfonia de vozes - uma algazarra, um caos musical.
Começou pela base branca, para esconder as marcas da vida e as expressões que poderiam entregar sua verdadeira identidade de desdém e tédio.
Em seguida, fez os olhos, realçando o contorno, para dar a ilusão de que estavam de fato abertos.
Avermelhou a boca, porque precisava parecer vivo.
Concluiu com o nariz, onde depositou o bom humor que não tinha.
A peruca colorida era uma alegoria da felicidade perdida ou nunca vivida.
E saiu para a festa, como todos os anos, infalível.
Meu palhaço de estimação.
Cada um no seu quadrado.
5 dias atrás
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