segunda-feira, 26 de abril de 2010

O que você seria se não tivesse que pagar as contas?

Eu tenho esse primo que quase nunca encontro. Nos vemos após intervalos de mais ou menos 15 anos, o que significa que, quando conversarmos novamente, eu serei praticamente uma cinquentona. Mas eu gosto dele porque ele tem um jeito "laid back" de levar a vida, fazendo o que lhe dá prazer sem dar satisfação a ninguém e tampouco se importando com os julgamentos alheios - e são sempre muitos porque ele não é convencional, apesar de tampouco ser radical.
Enfim. Da última vez em que estivemos juntos, em 2008, ele saiu com essa, assim, do nada: "Não é o trabalho que nos define, né, prima?". Eu concordei, mas fiquei refletindo. Eu sei que ele tem razão, mas minhas atitudes não refletem, antes contradizem, esse pensamento. Eu acredito na verdade do que ele disse, mas ajo como se não acreditasse, tudo por causa desses condicionantes sociais, familiares, culturais que nem sei de onde surgiram - só sei que colaram em mim.
Ele usou o "nos" porque nem eu nem ele sonhávamos terminar como servidores públicos federais. Porque tínhamos esses nossos sonhos, devaneios, talentos que fomos deixando pelo caminho rumo à "adulticidade". Mas assim terminamos (talvez não tenhamos ainda terminado, quem sabe) e não nos resignamos a essa condição, a esse rótulo comportamental. Então damos as nossas escapadinhas - as minhas sendo majoritariamente via o que escrevo nos meus blogs.
Então na semana passada, conversando com outra prima, esta eu sempre vejo, fizemos um exercício: qual seria a sua "profissão" se você não tivesse que ganhar dinheiro para pagar o aluguel, a prestação e as contas de todo os meses? Ela disse que seria roteirista, e eu disse que seria escritora, mesmo que os roteiros dela nunca saíssem da gaveta e absolutamente ninguém, nem meus familiares mais próximos, lessem o que escrevo. Gostei do exercício. Não posso ainda ser oficialmente escritora, mas vou abraçar a filosofia do primeiro primo e simplesmente me descolar do trabalho. Me redefinir.

3 comentários:

Mirdad disse...

Você pode ser escritora de fato. Basta arregaçar as mangas, produzir e correr atrás. Chama-se empenho. Vamos, se vira, Creuza!

Bianca De Vit disse...

Mariiiiiii!!!!

Eu vou ler o que tu escreve, querida!!! Vou querer até que tu faça um lançamento aqui em Salvador para eu pegar um autógrafo!!

Beijos!!

Mariana disse...

Eu sei, eu sei, basta empenho. "Só" isso... Rsrsrsrs... Não estou reclamando. Quem sabe acontece. Fato é que já me empenhei por tanta coisa na vida... Tô meio cansada agora... Mas sempre posso tirar energia de algum lugar, né?
Ô, Bianca! Espwero que, antes de eu virar best-seller, eu possa estar num lançamento seu!!
:)
Beijos aos dois.