Demorou uns bons 30 anos para eu perceber o óbvio: 99,999% dos filmes românticos acabam onde começam a vida e os relacionamentos reais. E é nesse contexto que se descobre o que de fato amar é.
É sentir uma felicidade perene e inexplicável em quase todos os momentos, inclusive lavando a louça numa manhã ensolarada de sábado.
É poder sentir-se triste também, sem causa aparente, e deixar a tristeza passar.
É brigar, fazer besteira, falar o que não deve e saber que depois vai haver reconciliação, e não separação.
É estar tranquilo (atenção, não disse acomodado!) o suficiente para passar um fim de semana em casa, deixando o verão - e sua agitação natural - para mais tarde, sem sentir que está perdendo a vida.
É querer estar junto em todas as situações.
É querer não estar junto - e de fato não estar - em algumas situações, e poder fazer isso sem estresse.
É achar qualquer situação boa quando se está com a pessoa amada porque sempre é possível fazer um microcosmo pessoal.
É não ter obrigações amorosas.
É querer ver a pessoa amada feliz e ficar mais chateado com a tristeza dela do que com sua própria.
É aceitar as diferenças e os defeitos do outro, mesmo que eles sejam aparentemente inaceitáveis. É poder reclamar e também aceitar reclamação.
É lidar junto com as coisas chatas, irritantes e desagradáveis da vida e superá-las.
É fazer sexo sem pressão, sabendo que vai ter tempo para testar, experimentar, errar e tentar de novo - tentar muitas vezes se for necessário, o que é o melhor.
É sentir-se à vontade para ser você mesmo, ainda que você às vezes seja bobo, irritante, neurótico, infantil.
É difícil.
É a melhor coisa do mundo.