De uns tempos para cá, sempre que penso que os outros estão estranhos ou têm problemas, sobretudo problemas comigo, na verdade o problema está em mim. Sou eu que enxergo o(s) meu(s) problema(s) nos outros, como quem olha num espelho. Às vezes nem preciso enxergá-los, basta pressenti-los, sentir-lhes o cheiro no ar.
Antes de me dar conta desse jogo de Alice, eu falava, me posicionava, bradava (mais). Me expunha ao tentar exumar os supostos problemas alheios. Mas, desde que caí no buraco do coelho e vi que os problemas estão em mim... vivo calada a minha indignação.
Ela, no entanto, não diminuiu. De forma geral, talvez tenha até aumentado. Só que agora a minha indignação atormenta apenas a mim mesma. Temos longas e inflamadas discussões silenciosas. Eu desabafo, ela me retruca, e seguimos em frente, tentando não pensar muito e admirar a paisagem.