terça-feira, 17 de novembro de 2009

Amar é...

Antes eu achava que amar era um enredo de filme romântico: duas pessoas perfeitas, feitas uma para a outra, unidas pelo destino, numa vida cheia de novidades dramáticas e momentos arrebatadores, passada nos cenários ideais, com uma trilha sonora de emocionar.
Demorou uns bons 30 anos para eu perceber o óbvio: 99,999% dos filmes românticos acabam onde começam a vida e os relacionamentos reais. E é nesse contexto que se descobre o que de fato amar é.

É sentir uma felicidade perene e inexplicável em quase todos os momentos, inclusive lavando a louça numa manhã ensolarada de sábado.
É poder sentir-se triste também, sem causa aparente, e deixar a tristeza passar.
É brigar, fazer besteira, falar o que não deve e saber que depois vai haver reconciliação, e não separação.
É estar tranquilo (atenção, não disse acomodado!) o suficiente para passar um fim de semana em casa, deixando o verão - e sua agitação natural - para mais tarde, sem sentir que está perdendo a vida.
É querer estar junto em todas as situações.
É querer não estar junto - e de fato não estar - em algumas situações, e poder fazer isso sem estresse.
É achar qualquer situação boa quando se está com a pessoa amada porque sempre é possível fazer um microcosmo pessoal.
É não ter obrigações amorosas.
É querer ver a pessoa amada feliz e ficar mais chateado com a tristeza dela do que com sua própria.
É aceitar as diferenças e os defeitos do outro, mesmo que eles sejam aparentemente inaceitáveis. É poder reclamar e também aceitar reclamação.
É lidar junto com as coisas chatas, irritantes e desagradáveis da vida e superá-las.
É fazer sexo sem pressão, sabendo que vai ter tempo para testar, experimentar, errar e tentar de novo - tentar muitas vezes se for necessário, o que é o melhor.
É sentir-se à vontade para ser você mesmo, ainda que você às vezes seja bobo, irritante, neurótico, infantil.
É difícil.
É a melhor coisa do mundo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Capitulei

Entrei no Twitter depois de falar mal do troço a torto e a direito.
Acho que não consigo ficar de fora dessas novas formas de comunicação, sob pena de me sentir anacrônica e ultrapassada, velha mesmo, em bom português.
Posso até criar uma justificativa racional e dizer que estou lá para analisar as tessituras formadas por mais essa rede social virtual, como ela constrói relações e em que bases essa nova forma de interação se sustenta. Mas não é nada disso de fato. Curiosidade seria mais honesto.
Tenho SETE seguidores e NADA para dizer!!!!!
Antopologicassocialmente falando, isso certamente diz muito sobre quem eu sou...
Enfim, se quiserem compartilhar meu silêncio, vão .

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sexta 13

Eu sei que não é sempre assim, mas de uns tempos para cá tenho sentido que a vida se resume a trabalhar para ganhar dinheiro, para pagar contas, e a resolver problemas, porque nada funciona como deveria.
O.K., uma vida perfeita certamente seria chata à beça, mas também não precisa exagerar.
Estou tão cansada disso tudo que sinto como se minha energia tivesse sido sugada por um alienígena, e só tivesse restado meu corpo, autômato, cumprindo como um zumbi suas funções diárias.
Acho que vou ter de comer o cérebro de alguém para voltar a ter alegria de viver...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Oh, behave!

Um dia disseram para a gente na escola - deve ter sido no primário porque aderiu mesmo, ficou lá, subliminarmente, como verdade - que o homem é um ser sociável, que vive em grupo.
Bem, eu tenho de discordar porque estou ficando mais antissocial com o passar dos anos e, sinceramente, não sei aonde isso vai parar...
Será que estou cada dia mais intolerante ou a Humanidade está cada segundo mais insuportável? Ou os dois? Provavelmente os dois...
Como desabafo - e posto que muito pouca gente se importa com este blog nos últimos tempos, o que, de certo modo, é bom, afinal estou cada vez mais antissocial -, elaborei a lista abaixo, definitivamente não definitiva, do que me irrita nas pessoas.
Em todos os lugares, claro, mas, por razões óbvias, a lista é a cara do Rio de Janeiro...

Os "sem-noção":
- Pessoas que ocupam o assento ao lado no ônibus/ metrô com bolsas, mochilas, sacolas e afins. Será que elas acham que, comprando uma passagem, têm direito a dois lugares?
- Pessoas que escutam música do celular sem usar fone de ouvido no ônibus/ metrô. Será que elas acham que todos são obrigados a ouvir o que elas querem escutar?
- Pessoas que colocam os pés em cima do encosto da cadeira da frente no cinema. Mesmo quando não tem ninguém sentado lá, mesmo quando as pessoas tiram os sapatos antes de fazer isso (argh, pior ainda, a meu ver), será que elas acham que podem sujar as poltronas aonde outros vão sentar?
- Pessoas que atendem/ ligam o celular e seguem conversando em voz alta dentro do ônibus, do metrô, do trem etc. Será que elas acham que todo mundo está interessado em saber da vida delas? Quanto custa dizer que não pode falar naquele momento?
- Pessoas que fazem o mesmo em restaurantes, principalmente em restaurantes menores.
- Pessoas que buzinam insistentemente quando ficam presas num congestionamento qualquer. Será que elas acham que é a buzina que vai fazer o trânsito andar?
- Pessoas que, entraram numa fila qualquer, começam a reclamar em voz alta para quem quiser ouvir. Será que elas não veem que já é tortura suficiente ficar numa fila?
- Pessoas que dirigem no meio de duas pistas para pegar aquela que está andando mais rápido e se dar bem. Será que elas acham que são os únicos motoristas com pressa?
- Pessoas que estacionam o carro sem respeitar a linha divisória das vagas dos estacionamentos. Será que elas acham que são tão boas que valem por duas?
- Motoristas de ônibus em geral. Será que eles acham que transportam carga, em vez de gente?
- Pessoas que entram no elevador ou no metrô antes que quem está dentro consiga sair. Será que elas acham que deixar o outro sair vai impedi-las de entrar?
- Pessoas que andam de bicicleta ou moto (juro que já vi) em cima da calçada. Será que elas não entendem o significado da palavra pedestre?
- Motoristas que estacionam o carro em cima da calçada. Definitivamente, a palavra pedestre precisa ser mais difundida...
- Pessoas que não param de rir, às vezes gargalhar, no cinema, mesmo quando o filme ou a cena do filme não tem graça. Será que elas acham que fazendo isso vão justificar o preço do ingresso para elas próprias?
- ...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Blecaute

Alguns serviços, comodidades, benefícios da vida moderna, apesar de relativamente recentes na história da Humanidade - que dirá do planeta -, se naturalizaram de tal modo, que parecem ter sempre existido. Melhor ainda, parecem parte essencial da vida, sem a qual é impossível existir.
Um desses itens indispensáveis é a energia elétrica. E, quando ela falta, perde-se a civilidade - no sentido mais amplo da palavra.
Se a escuridão é voluntária, ou seja, se apagamos nós mesmos as luzes, via de regra reinam a tranquilidade e o silêncio. Na melhor das hipóteses, impera o segredo, dominam os sussurros, movimentos furtivos, semiescondidos, que não ousam ou não desejam dar-se à luz. Acendem-se velas, olham-se as estrelas, cantam-se canções.
Mas, se a escuridão é imposta, parece haver um retorno à hordas pré-históricas. A contemplação, a luxúria, o recolhimento e o segredo tornam-se impossíveis. Ao redor, todos parecem ansiosos, quase histéricos, incapazes de não falar, não gritar, não fazer movimentos bruscos, não acionar o telefone celular. Estamos todos vulneráveis, sozinhos, abandonados, e é preciso combater essa sensação de fragilidade.
Lanternas passam como fogos-fátuos pela janela, objetos são derrubados. O caos, o medo, a balbúrdia estão em toda a parte. Como se aquela escuridão completa, involuntária, representasse a própria morte.
Agora durma com um barulho desses...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pílula de sabedoria 2 - ou "Então, é verão, né!"

Nesse calor, só o que salva o casamento é o aparelho de ar-condicionado.
Sem ele não dá para dormir a dois...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pílula de sabedoria

"Proximidade - sem sexo - não traz facilidade."

Eu sempre desconfiei disso...